
Meu Pentavô Princípe Custódio de Xapanã Sakpatá Erupê
Da tribo pré-colonial Benis, dinastia de Glefê, da nação Jeje, do estado
de Benin-Nigéria. Seu nome tribal era Osuanlele Okizi Erupê,
filho primogênito do Obá Ovonramwen.
Envolto numa aureola de nobreza autentica viveu muitos anos em nossa
capital uma figura estranha e original que conservou todos os seus hábitos de
origem e todos os ritos extravagantes de sua seita negra. O Príncipe, como
comumente era conhecido entre nos, se constituiu logo em um semideus para os
homens da sua raça. O seu credo traduzia a crença daqueles em cujas veias
existiam ainda uma gota de sangue dos seus antepassados africanos. Teve
prestigio e forca. Os seus 104 anos foram inteiramente entregues aos seus
irmãos de origem. Dentro de uma sincera reverencia aos deuses que a imaginação
quente e primitiva de sua raça foi criando, não desamparou nunca os seus
adeptos fervorosos.
Agora, entre os seus discípulos da seita negra, um luto se levanta.
Todos choram a morte do Príncipe de Ajuda. O Príncipe morreu! Rolando o
seu corpo rijo e frio, houve um estremecimento forte na crença e na esperança
de seus adeptos. Eles pedem para os seus deuses um continuador do seu mestre. O
Príncipe trazia em seu sangue uma origem ilustre. A sua estirpe foi nobre. O
governo inglês mandava lhe pagar mensalmente, por intermédio do respectivo
consulado nesta capital, a subvenção que lhe era devida na qualidade de Príncipe
de São João de Ajuda, território que esta sob o domínio da referida nação.
O Príncipe morreu e as preces sobem aos Orixás. (Transcrito de “A
Federação”, de 26 de maio de 1936).
Origem
São João Batista de Ajuda era uma fortaleza portuguesa no Daome. A
feitoria de São João Batista de Ajuda estava situada a cinco quilômetros da
costa africana de Leste ou dos “Papos”, entre os rios da lagoa e do Volta,
tendo sido descoberta pelos portugueses quando navegavam na costa da Guine. Era
a capital do antigo Reino de daome, edificado numa vasta planície outrora muito
povoada de cristãos negros. O rei D Pedro II de Portugal mandou construir
a referida fortaleza a fim de proteger o importante comercio que então os
portugueses faziam na Costa da Mina. A Costa da Mina era um território a
beira do Oceano Atlântico no golfo da Guine. Foi ocupado pelos Ingleses que ali
estabeleceram importantes feitorias, que passaram a ser defendidas pelas
guarnições das fortalezas antes pertencentes a Portugal, entre as quais a de
São João Batista de Ajuda.
Daome tem fronteira de um lado com a Nigéria, que e o maior pais da
África atual e do outro, com Togo, possessão alemã de antes da primeira guerra
mundial, este velho reino africano no começo foi colônia de vários países que
se estabeleceram ao longo do seu território a margem do Atlântico, mas em 1876
a Grã-Bretanha terminou a ação que iniciara alguns anos antes, comprando a
parte dos demais ocupantes, tornando, então, a Costa do Ouro inteiramente de
propriedade dos ingleses, os quais também tiveram de entrar em acordo com os
reis e príncipes negros que governam o gentio. Desta determinação britânica
resultou a deportação de um rei africano, que somente em 1934 teve autorização
para voltar a fim de passar sossegadamente o resto de seus dias na terra natal.
Com outros governantes foram feitos acordos financeiros por eles aceitos a fim
de ser evitado o massacre do seu povo. Entre estes estava o Príncipe de São
João Batista de Ajuda, que deixou sua terra na Costa da Mina em 1862 quando
tinha 31 anos de idade.
Ninguém sabe como e em que circunstancias este príncipe governante deixou o Porto de Ajuda, que era perto da Costa do Ouro (hoje Republica de Gana), onde em algumas décadas anteriores, funcionava um dos principais locais de embarque de escravos para o Brasil, mas o certo e que ele partiu ante a promessa solene dos ingleses de que o seu povo não sofreria o que haviam sofrido os grupos vizinhos ante a violência dos alemães e franceses. Os portugueses antes poderosos tinham se contentado com uma parte do Guine e com as ilhas de São Tome e Príncipe, cedendo as suas fortalezas.
As condições para que o Príncipe de Ajuda não oferecesse qualquer resistência aos invasores, alem do respeito pela vida dos seus súditos, era a de que ele se exilasse e jamais voltasse aos seus domínios. E, como parte do convenio, a Grã-Bretanha se comprometia a fornecer-lhe uma subvenção mensal paga em qualquer parte do mundo onde estivesse por intermédio dos seus representantes consulares. Por qual motivo o exilado escolheu o Brasil como sua nova pátria, não se sabe. Talvez por haver aqui grande numero de descendentes dos escravos nativos da Costa da Mina, os chamados “Pretos Mina” ou outra razão qualquer. Sua chegada a nossa terra foi assinada como acontecida em 1864, dois anos depois de ter deixado Ajuda.
Inicialmente fixou-se em Rio Grande, onde residiu longos anos, transferindo-se mais tarde para o interior do município de Bagé, onde logo ficou popular por manter viva a tradição religiosa do seu povo, com a pratica o que agora se conhece como Batuque, alem de mostrar conhecimentos das propriedades curativas da nossa flora medicinal, atendendo muita gente doente que o procurava, tratando de minorar-lhes os males por meio de ervas e rezas dos ritos africanos.
De Bagé mudou-se para Porto Alegre, aonde chegou em 1901 com 70 anos de idade. Era um homem forte, cheio de vida com um metro e noventa de altura o que ainda mais se evidenciava quando usava as vestes originais da sua gente e colocava na cabeça um “fez” de cor encarnada que lhe aumentava pelo menos mais vinte centímetros na altura.
Foi morar na Lopo Gonçalves numero 498, cujos fundos davam para a Rua dos Venezianos (hoje Joaquim Nabuco). Esta artéria era chamada “dos Venezianos” não por causa da popular sociedade carnavalesca que por muitos anos existiu em nossa capital, mas por ter suas casas quase que totalmente habitadas por italianos oriundos da Sicilia e da Calábria, que o vulgo confundia com venezianos (de Veneza), mas logo que o príncipe que havia adotado o nome brasileiro de CUSTODIO JOAQUIM DE ALMEIDA, ali se instalou, passou a rua ser preferida pela gente de cor que procurava com isso acercar-se do homem que, incontestavelmente, era líder da sua raça. O príncipe Custodio como então era chamado, iniciou ali uma nova etapa da sua aventurosa vida, cercando-se em Porto Alegre de um aparato digno de um verdadeiro fidalgo. A família do príncipe de Ajuda aos poucos foi crescendo e não demorou a atingir o numero de 26 pessoas, sem contar os empregados em boa quantidade.
Os fundos da casa onde morava, com saída na Rua dos Venezianos, serviam para a sua coudelaria, pois possuía nada menos do que nove cavalos de raça, alguns impostados da Inglaterra, os quais todos os domingos disputavam as corridas organizadas pela Protetora do Turfe no Prado da independência. Para manter e cuidar esses animais havia um grupo selecionado de empregados, jóqueis, etc., sob a supervisão direta do Príncipe, que se classificava como “Tratador”. Nos domingos, os cavalos inscritos nos diversos páreo saiam da Rua dos Venezianos, devidamente cobertos por capas tendo as cores oficiais do seu dono e rumavam pela Rua da concórdia em direção a Venâncio Aires, subindo, apos, uma das ruas que ligam o Bonfim a Independência ate chegarem ao Prado nos Moinhos de Vento. O Príncipe custodio teve oito filhos, três homens e cinco mulheres, uma delas residindo em São Paulo e outra no Rio de Janeiro.
Seus conhecimentos de idioma português não eram muito corretos, porem podia expressar-se fluentemente em inglês e Frances, alem de falar ainda vários dialetos das tribos africanas que havia governado. Gostava de ir pessoalmente as compras, quando isso acontecia, se fazia acompanhar de dois fortes homens, os quais alem de o custodiarem, serviam para transportar as mercadorias compradas em grandes balaios.
As festas que levava a efeito periodicamente em sua casa, notadamente na data de seu aniversario, eram verdadeiramente pantagruelicas. Durante três dias, com o prédio sempre cheio de gente, da manha à noite, se comia e bebia do bom e do melhor ao som dos tambores africanos que batucavam sem parar naquelas setenta e duas horas. E nesses dias, o Príncipe recebia a visita de gente mais ilustre da cidade, inclusive do presidente do estado Borges de Medeiros que, conhecendo a ascendência daquele homem sobre a população de cor, ia felicitá-lo, talvez mais por motivos políticos do que por outra coisa. Naquelas festejadas datas era certo o comparecimento na Rua Lopo de muitas senhoras e cavalheiros da melhor sociedade porto-alegrense, alem dos capitães da indústria e do comercio que dele precisavam o apoio para perigos de greves e outras imposições. As mais finas bebidas eram importadas diretamente da Europa, especialmente destinadas a serem degustadas naquelas ocasiões especiais, embora elas nunca faltassem à mesa do Príncipe exilado.
A casa do Príncipe vivia sempre lotada de gente, de visitantes e de pessoas que ele encontrava nas ruas e lhe pediam auxilio. Mandava essas pessoas embarcarem na carruagem em que estivesse e as levava para a sua residência, onde sempre havia lugar para mais um. Entre os que viveram muito tempo junto ao homem meio gigante da Rua Lopo, estava um branco, descendentes de alemães oriundo de São Sebastião do Cai, que tinha feito estudos de medicina e dessa maneira o auxiliava no atendimento aos doentes que continuamente o procuravam em busca de remédios e dos “trabalhos” do chefe africano no exilado.
Para os rigores do inverno, o príncipe Custodio adotou o poncho gaucho, embora não dispensasse o gorro que marcava a sua personalidade, não deixando nem quando visitava o palácio da Praça da Matriz onde sempre era bem vindo e onde havia ordens superiores de bom atendimento, e onde ele muitas vezes usava seu prestigio para conseguir alguma coisa que lhe fosse solicitada por qualquer membro da sua comunidade..
Durante todos os anos em que viveu em Porto Alegre, 31 ao todo, nunca manteve correspondência ostensiva com parentes ou amigos deixados nas terras africanas. De la recebia informações e daqui enviava noticias suas em mãos por intermédio de marítimos que tripulavam navios vindos a nossa metrópole, transportando e levando mercadorias.
Também nunca se soube o teor dessas correspondências. De incentivo ao seu povo para uma possível rebelião não era, pois ele sabia ser isso humanamente impossível. Alem disso a Inglaterra, em todo o longo período do seu exílio, sempre cumpriu religiosamente o que fora estipulado. Mensalmente o consulado britânico local, entregava-lhe um saquinho cheio de libras esterlinas, cuja troca em mil-réis servia para manter a pequena corte da Rua Lopo, a família numerosa, os agregados, os empregados, e ainda serviam aqueles que o procuravam nos momentos de apertos financeiros.
No verão, em janeiro, o programa era conhecido. Todos iam para a casa de propriedade do Príncipe, na Praia de Cidreira. A viagem para o balneário era qualquer coisa de sensacional e folclórico. Embora fosse dono da carruagem e tivesse dinheiro para alugar quantas diligencias quisesse, o príncipe gostava de viajar em carretas puxadas por bois na mais calma e na mais incrível lentidão. E ainda mais, a viagem era feita por etapas em ritmo de passeio, parando em muitos lugares onde ele era sempre esperado com festas e cerimônias religiosas africanas, muita comida e muita bebida, pois todos sabiam que tudo seria pago pelo viajante ilustre. Dessa maneira nunca o trajeto de Porto Alegre a Cidreira era feito em menos de uma semana. Quando eram gastos apenas cinco dias, considerava-se um recorde de velocidade.
Com as carretas de transporte dos passageiros seguiam outras carregadas de mantimentos, inclusive muitos sacos de milho e dezenas de fardos de alfafa, aos cuidados dos empregados, pois os cavalos de corrida do Príncipe também iam aos banhos de mar. Isso, ele como treinador e tratador fazia questão fechada.
A maior festa que a Cidade Baixa já viu foi quando o Príncipe completou cem anos de idade. Nesse dia muita gente de bem foi abraçá-lo em sua casa e ele, dando demonstração de sua vitalidade exuberante, montou a cavalo sem receber qualquer ajuda. Alias, isso ele fez ate poucos dias antes da sua morte, quatro anos depois.
No dia 26 de maio de 1936, morreu o príncipe Custodio, aos 104 anos. Seu velório e seu enterro, atendendo ao pedido expresso do morto, foi feito dentro das tradições africanas com muito batuque e muitos trabalhos em intenção a sua alma. Com ele desapareceu uma das figuras mais impressionantes e esquisitas da nossa cidade. Um metro e noventa de altura, com mais de cem quilos de peso, embora não fosse um homem gordo. E muita gente ficou desamparada, pois a subvenção paga mensalmente em libras pelo governo inglês extinguiu-se com a morte do Príncipe de Ajuda. Se foi ele quem fez o assentamento de um Bará no mercado público de Porto Alegre, onde todos os adeptos dos cultos africanos (de quase todas as bacias) fazem reverencia cada vez que terminam uma obrigação aos seus Orixás. Isso de certa forma indica que se não foi o introdutor das raízes africanas no estado deve ser um dos primeiros.
Fonte: A Federação
Ninguém sabe como e em que circunstancias este príncipe governante deixou o Porto de Ajuda, que era perto da Costa do Ouro (hoje Republica de Gana), onde em algumas décadas anteriores, funcionava um dos principais locais de embarque de escravos para o Brasil, mas o certo e que ele partiu ante a promessa solene dos ingleses de que o seu povo não sofreria o que haviam sofrido os grupos vizinhos ante a violência dos alemães e franceses. Os portugueses antes poderosos tinham se contentado com uma parte do Guine e com as ilhas de São Tome e Príncipe, cedendo as suas fortalezas.
As condições para que o Príncipe de Ajuda não oferecesse qualquer resistência aos invasores, alem do respeito pela vida dos seus súditos, era a de que ele se exilasse e jamais voltasse aos seus domínios. E, como parte do convenio, a Grã-Bretanha se comprometia a fornecer-lhe uma subvenção mensal paga em qualquer parte do mundo onde estivesse por intermédio dos seus representantes consulares. Por qual motivo o exilado escolheu o Brasil como sua nova pátria, não se sabe. Talvez por haver aqui grande numero de descendentes dos escravos nativos da Costa da Mina, os chamados “Pretos Mina” ou outra razão qualquer. Sua chegada a nossa terra foi assinada como acontecida em 1864, dois anos depois de ter deixado Ajuda.
Inicialmente fixou-se em Rio Grande, onde residiu longos anos, transferindo-se mais tarde para o interior do município de Bagé, onde logo ficou popular por manter viva a tradição religiosa do seu povo, com a pratica o que agora se conhece como Batuque, alem de mostrar conhecimentos das propriedades curativas da nossa flora medicinal, atendendo muita gente doente que o procurava, tratando de minorar-lhes os males por meio de ervas e rezas dos ritos africanos.
De Bagé mudou-se para Porto Alegre, aonde chegou em 1901 com 70 anos de idade. Era um homem forte, cheio de vida com um metro e noventa de altura o que ainda mais se evidenciava quando usava as vestes originais da sua gente e colocava na cabeça um “fez” de cor encarnada que lhe aumentava pelo menos mais vinte centímetros na altura.
Foi morar na Lopo Gonçalves numero 498, cujos fundos davam para a Rua dos Venezianos (hoje Joaquim Nabuco). Esta artéria era chamada “dos Venezianos” não por causa da popular sociedade carnavalesca que por muitos anos existiu em nossa capital, mas por ter suas casas quase que totalmente habitadas por italianos oriundos da Sicilia e da Calábria, que o vulgo confundia com venezianos (de Veneza), mas logo que o príncipe que havia adotado o nome brasileiro de CUSTODIO JOAQUIM DE ALMEIDA, ali se instalou, passou a rua ser preferida pela gente de cor que procurava com isso acercar-se do homem que, incontestavelmente, era líder da sua raça. O príncipe Custodio como então era chamado, iniciou ali uma nova etapa da sua aventurosa vida, cercando-se em Porto Alegre de um aparato digno de um verdadeiro fidalgo. A família do príncipe de Ajuda aos poucos foi crescendo e não demorou a atingir o numero de 26 pessoas, sem contar os empregados em boa quantidade.
Os fundos da casa onde morava, com saída na Rua dos Venezianos, serviam para a sua coudelaria, pois possuía nada menos do que nove cavalos de raça, alguns impostados da Inglaterra, os quais todos os domingos disputavam as corridas organizadas pela Protetora do Turfe no Prado da independência. Para manter e cuidar esses animais havia um grupo selecionado de empregados, jóqueis, etc., sob a supervisão direta do Príncipe, que se classificava como “Tratador”. Nos domingos, os cavalos inscritos nos diversos páreo saiam da Rua dos Venezianos, devidamente cobertos por capas tendo as cores oficiais do seu dono e rumavam pela Rua da concórdia em direção a Venâncio Aires, subindo, apos, uma das ruas que ligam o Bonfim a Independência ate chegarem ao Prado nos Moinhos de Vento. O Príncipe custodio teve oito filhos, três homens e cinco mulheres, uma delas residindo em São Paulo e outra no Rio de Janeiro.
Seus conhecimentos de idioma português não eram muito corretos, porem podia expressar-se fluentemente em inglês e Frances, alem de falar ainda vários dialetos das tribos africanas que havia governado. Gostava de ir pessoalmente as compras, quando isso acontecia, se fazia acompanhar de dois fortes homens, os quais alem de o custodiarem, serviam para transportar as mercadorias compradas em grandes balaios.
As festas que levava a efeito periodicamente em sua casa, notadamente na data de seu aniversario, eram verdadeiramente pantagruelicas. Durante três dias, com o prédio sempre cheio de gente, da manha à noite, se comia e bebia do bom e do melhor ao som dos tambores africanos que batucavam sem parar naquelas setenta e duas horas. E nesses dias, o Príncipe recebia a visita de gente mais ilustre da cidade, inclusive do presidente do estado Borges de Medeiros que, conhecendo a ascendência daquele homem sobre a população de cor, ia felicitá-lo, talvez mais por motivos políticos do que por outra coisa. Naquelas festejadas datas era certo o comparecimento na Rua Lopo de muitas senhoras e cavalheiros da melhor sociedade porto-alegrense, alem dos capitães da indústria e do comercio que dele precisavam o apoio para perigos de greves e outras imposições. As mais finas bebidas eram importadas diretamente da Europa, especialmente destinadas a serem degustadas naquelas ocasiões especiais, embora elas nunca faltassem à mesa do Príncipe exilado.
A casa do Príncipe vivia sempre lotada de gente, de visitantes e de pessoas que ele encontrava nas ruas e lhe pediam auxilio. Mandava essas pessoas embarcarem na carruagem em que estivesse e as levava para a sua residência, onde sempre havia lugar para mais um. Entre os que viveram muito tempo junto ao homem meio gigante da Rua Lopo, estava um branco, descendentes de alemães oriundo de São Sebastião do Cai, que tinha feito estudos de medicina e dessa maneira o auxiliava no atendimento aos doentes que continuamente o procuravam em busca de remédios e dos “trabalhos” do chefe africano no exilado.
Para os rigores do inverno, o príncipe Custodio adotou o poncho gaucho, embora não dispensasse o gorro que marcava a sua personalidade, não deixando nem quando visitava o palácio da Praça da Matriz onde sempre era bem vindo e onde havia ordens superiores de bom atendimento, e onde ele muitas vezes usava seu prestigio para conseguir alguma coisa que lhe fosse solicitada por qualquer membro da sua comunidade..
Durante todos os anos em que viveu em Porto Alegre, 31 ao todo, nunca manteve correspondência ostensiva com parentes ou amigos deixados nas terras africanas. De la recebia informações e daqui enviava noticias suas em mãos por intermédio de marítimos que tripulavam navios vindos a nossa metrópole, transportando e levando mercadorias.
Também nunca se soube o teor dessas correspondências. De incentivo ao seu povo para uma possível rebelião não era, pois ele sabia ser isso humanamente impossível. Alem disso a Inglaterra, em todo o longo período do seu exílio, sempre cumpriu religiosamente o que fora estipulado. Mensalmente o consulado britânico local, entregava-lhe um saquinho cheio de libras esterlinas, cuja troca em mil-réis servia para manter a pequena corte da Rua Lopo, a família numerosa, os agregados, os empregados, e ainda serviam aqueles que o procuravam nos momentos de apertos financeiros.
No verão, em janeiro, o programa era conhecido. Todos iam para a casa de propriedade do Príncipe, na Praia de Cidreira. A viagem para o balneário era qualquer coisa de sensacional e folclórico. Embora fosse dono da carruagem e tivesse dinheiro para alugar quantas diligencias quisesse, o príncipe gostava de viajar em carretas puxadas por bois na mais calma e na mais incrível lentidão. E ainda mais, a viagem era feita por etapas em ritmo de passeio, parando em muitos lugares onde ele era sempre esperado com festas e cerimônias religiosas africanas, muita comida e muita bebida, pois todos sabiam que tudo seria pago pelo viajante ilustre. Dessa maneira nunca o trajeto de Porto Alegre a Cidreira era feito em menos de uma semana. Quando eram gastos apenas cinco dias, considerava-se um recorde de velocidade.
Com as carretas de transporte dos passageiros seguiam outras carregadas de mantimentos, inclusive muitos sacos de milho e dezenas de fardos de alfafa, aos cuidados dos empregados, pois os cavalos de corrida do Príncipe também iam aos banhos de mar. Isso, ele como treinador e tratador fazia questão fechada.
A maior festa que a Cidade Baixa já viu foi quando o Príncipe completou cem anos de idade. Nesse dia muita gente de bem foi abraçá-lo em sua casa e ele, dando demonstração de sua vitalidade exuberante, montou a cavalo sem receber qualquer ajuda. Alias, isso ele fez ate poucos dias antes da sua morte, quatro anos depois.
No dia 26 de maio de 1936, morreu o príncipe Custodio, aos 104 anos. Seu velório e seu enterro, atendendo ao pedido expresso do morto, foi feito dentro das tradições africanas com muito batuque e muitos trabalhos em intenção a sua alma. Com ele desapareceu uma das figuras mais impressionantes e esquisitas da nossa cidade. Um metro e noventa de altura, com mais de cem quilos de peso, embora não fosse um homem gordo. E muita gente ficou desamparada, pois a subvenção paga mensalmente em libras pelo governo inglês extinguiu-se com a morte do Príncipe de Ajuda. Se foi ele quem fez o assentamento de um Bará no mercado público de Porto Alegre, onde todos os adeptos dos cultos africanos (de quase todas as bacias) fazem reverencia cada vez que terminam uma obrigação aos seus Orixás. Isso de certa forma indica que se não foi o introdutor das raízes africanas no estado deve ser um dos primeiros.
Fonte: A Federação
Minha Tetravó Chininha de Xangô Ibedji (sem fotos)
Meu Trisavô João de Bará Agelú Ní Bí
Quando se fala em Nação Jêje do Rio Grande do Sul, logo vem o nome do
Pai de Santo mais famoso desta nação que foi o Pai João de Bará Ni Bi (Exu
Bý), que sem dúvidas foi a maior expressão Jeje. Conhecido no Brasil e
em outros países, filho de Santo de Mãe Chininha de Xangô Agandju Ibeijis. Pai
João do Bará doutrinava muito bem seus filhos de santo. Ensinava muito bem seus
filhos a puxar as rezas dos Orixás e a tocar tambor.
Ele tinha uma técnica de ensinar os filhos tocando na mesa com duas
colheres e no outro dia já os colocava a tocar no tambor com os agidavís. João
de Bará e Tia Licinha, sua irmã, tocavam Jêje juntos, e diziam na época que era
um dos melhores rituais quando esses dois se juntavam na mesma obrigação.Dos
pais e mães de santos atuais, da nação Jêje do Rio Grande do Sul, muitos
desconhecem a palavra Vodun; deve-se este fato ao predomínio da nação Ijexá, de
origem Yorubá que acabou absorvendo as demais, e o termo vodun com o passar dos
tempos, deixou de existir; mas é certo que a linguagem utilizada nas rezas e o
uso das AGIDAVIS, para toque dos tambores RUM - RUMPI e LÊ
(instrumentos de percussão), entre outros fatos refletem muito os fundamentos
do antigo Daomé.
Há casos em que as tradições culturais africanas resistem mais que em
outros, à mudança, mas em nenhuma instância, nem mesmo nos terreiros mais
antigos e ostensivamente zelosos à suas origens, deixou de existir, contudo, se
tivesse, no sul um maior interesse em pesquisar a origem dos fundamentos de
cada nação é certo que achariam a ligação direta do jêje praticado aqui, com os
povos do antigo Dahomé, e assim por diante. O que sobrevive da vertente jêje
como legado cultural acha-se associado ao acervo Yorubá, embora não se fale em
Voduns no Rio Grande do Sul.
Meu Bisavô Nelson de Xangô Sobô Orofomi
No dia 25 de agosto de 1924, em Porto Alegre, nasciam Nelson e Wilson Gomes, filhos gêmeos.
Logo ao nascerem ficaram órfãos sendo criados por seu Avô materno Antoninho de Oxalá, um servidor da linha Jeje. Estes dois meninos foram entregues a Xangô e Oxum respectivamente. Nelson para Xangô com Oxum e Wilson para Oxum com Xangô.
Logo ao nascerem ficaram órfãos sendo criados por seu Avô materno Antoninho de Oxalá, um servidor da linha Jeje. Estes dois meninos foram entregues a Xangô e Oxum respectivamente. Nelson para Xangô com Oxum e Wilson para Oxum com Xangô.
Nelson de Xangô foi filho de Santo do Avô Antoninho de Oxalá até chegar as mãos
de Pai João de Bará Agelú Ni Bi.
Irmãos de Santo de Vô Nelson de Xangô:
Eva de Bará - Valdomiro de Bará
Lodê - Pequeno de Bará Lodê - Landa de Bará -
Patinha de Bará - Tião de Bará - Marta de Bará
- Aurora do Ogum - Nadir de Ogum - Catarina
de Ogum - Cleusa de Oyá - Licinha da Oyá
- Valina da Oyá - Rení da Iansã - Alzira de
Xangô - Cotinha de Xangô - Pirica de Xangô
- Jurema de Xangô (tamboreira) - Evinha de Xangô (tamboreira)
- Valdir de Xangô - Mesquita de Xangô - Zé de Xangô
- Valdir de Xangô - Rosália de Odé - Ziza de Odé
- Julieta de Odé - Cristóvão de Oxum - Dêde de
Oxum - Elaine de Oxum - João Vó da Oxum Docô
- Santa de Yemanja - Jaci de Yemanja - Elza de
Oxalá - Tereza de Oxalá.
Meu Avô Vinicius de Oxalá Domaia Bokun
Nascido em 10 de agosto de 1930. Ainda muito jovem e apesar de descender
de família abastada sempre procurou lutar por si. Com 12 anos já estava
militando no teatro depois para o cinema e posteriormente na TV, sendo na época
considerado um ator genérico, trabalhando com grandes personagens da época.
Por volta de seus 12 anos, a sua mãe carnal havia chamado o pessoal de
um terreiro para fazer um descarrego em sua casa e o Cacique Pai Xangô, de Mãe
Edelvira, lhe disse que havia nascido com uma missão.
Aos 17 anos ele ingressava no teatro aqui no Rio Grande do Sul. O
pessoal do grupo teatral seguidamente se descarregavam num terreiro antes das
viajens e antes de certa viajem foram nesse terreiro. E a surpresa de pai
Vinicius foi que o terreiro que o pessoal ia era o mesmo da Mãe Edelvira e
quando o Cacique viu o Pai Vinicius disse: - Você na minha casa? E
repetiu a mesma coisa que já havia dito – Você tem uma missão! Deste dia
em diante ele notou que alguma coisa havia mudado em sua vida, mas mesmo assim,
seguiu sua trajetória teatral indo para o Rio de Janeiro, ingressando no teatro
profissional em uma companhia famosa de Dercy Gonçalves. As coisas não iam
muito bem para Dercy e ela resolveu levar o grupo para um terreiro a fim de
fazer um descarrego. A casa era de Ogum Beira Mar e ele mais uma vez se
assombrou porque o cacique disse para ele: - Você não sabia? Não te disseram
que você nasceu para uma missão? Bem, esses acontecimentos religiosos
terminaram mexendo com sua cabeça e la no Rio de janeiro iniciou a sua
trajetória na Casa de Mãe Cecília de Beira Mar.
Em determinado momento, por questões profissionais ele teve que ir pra S
Paulo com a ordem do Cacique Beira Mar, para na sua volta ao Sul, não
freqüentar nenhum terreiro que não fosse do Cacique Xangô da Pedreira de Mãe
Edelvira. Se fixando em Torres RS, o Grande Pai Ogum Mege, em sua propria casa,
já atendia muitas pessoas. Posteriormente veio para Porto Alegre onde entrou
para a Casa de Mãe Edelvira de Xangô onde deu continuidade a sua obrigação pela
Umbanda. Por imposição dos guias fez um Bori na Casa de Mãe Julia de Ode e
quando ela faleceu passou para as mãos de Pai Nelson de Xangô Orofomi, se
aprontando em 1961.
Sua primeira casa foi na Rua Mal Floriano Peixoto no centro de Porto
Alegre (1958-1960), depois se mudou para a Av. Saturnino de Brito 221
Vila Jardim (1960-1981) e posteriormente para a sua casa própria em 07
de julho de 1981, tendo a entrada de seus santos ocorrida às 19 horas.
Sua família religiosa: (Censo de 1998) - 51 casas
abertas por seus filhos/netos e 3978 descendentes entre filhos,
netos, bisnetos e tataranetos.
Tinha ocasiões em que não se sabia se era Pai Vinicius que falava ou se
era Oxalá de tamanha integração que havia entre o espírito dele com os Orixás e
guias. Jogar búzios com ele, para quem o conhecia bem, não necessitava os
fetiches, muitas vezes ele jogava sem pegar os búzios, simplesmente falando
sentado no seu sofá predileto da sua casa. Deixou no Livro escrito por Beto de Ogum – O Afro Brasileiro e Umbanda na Visão de Vinícius de Oxalá e em suas Cartilhas de Médiuns e Prontos parte de seu conhecimento.
Resumo da vida de José Vinícius Galhardo Passos
Nascido em 10 de agosto de 1930. Ainda muito jovem, apesar de descender
de família abastada, sempre procurou lutar por si e desde os 12 anos, passou a
militar no teatro, cinema e posteriormente na TV, sendo considerado na época um
ator genérico. Aos 17 anos ingressava em teatro do Rio Grande do Sul, no Teatro
de Emergência no Largo da Azenha. Posteriormente ingressou na companhia muito
famosa de Derci Gonçalves no Rio de Janeiro. Trabalhou ao lado da própria
Derci Gonçalves, com Virginia Lane, Mara Rubia, Carlos Cotrin, Andre Vion,
Meire e Daniel Filho, Joana D’Arc, Luz Del Fuego, Alvira Pagan, Walter Pinto,
Costinha e Bibi Ferreira entre outros. Tendo viajado pelo Brasil e sendo
reconhecido como um dos bons atores de sua época, adotara o nome teatral de Guerton
Paiva. Apos trabalhar em muitas companhias, muitos filmes, cansou
daquela vida e resolveu descansar voltando a sua cidade natal Torres no Rio
Grande do Sul.
Apos essa fase de sua vida dedicou-se ao comercio, uma vez que já
iniciara a sua vida espiritual, nunca se furtando de ajudar quem quer que fosse
sem preocupar-se com retorno.
CARNAVAL
Dedicou-se também ao carnaval no Rio de Janeiro
pela Mangueira e em Porto Alegre, mais de 30 anos pela Praiana, onde militou em
todos os postos, tendo sido Presidente e por vezes Diretor de finanças. Foi
Vice-presidente da Associação Carnavalesca do Rio Grande do Sul ao lado do Sr
Macale.
No ano de 2000, em sua ultima gestão a frente da Escola de Samba
Praiana, com seu ímpeto peculiar de Leonino, jurou que a Praiana voltaria para
o grupo especial do Carnaval de Porto Alegre.
Chamou seus dois filhos de
Ogum, Beto e Luizinho e tratou de plantar uma segurança no portão de entrada da
escola para afastar maus olhados e seguiu suas metas e objetivos.
Infelismente ele não conseguiu ver a Praiana realizar o desfile dos Campeões
como vencedora do carnaval naquele ano, mas sei que mesmo que ninguém da
escola tenha citando o seu nome no dia do recebimento do Troféu de Campeão, ele deve ter
ficado feliz por ter alcançado o seu objetivo, ELE FOI O GRANDE CAMPEÃO.
TRAJETÓRIA ESPIRITUAL
Na umbanda Pai Vinicius iniciou praticamente aos 12 anos na cidade de
Torres, Rio Grande do Sul. Em uma ocasião, sua mãe carnal, chamou um terreiro
de Umbanda para descarregar a sua casa quando o Cacique Pai Xango, da Mãe
Edelvira, lhe disse que ele havia nascido com uma missão, o que pareceu
engraçado ao menino Vinicius na época. Posteriormente, já no teatro, já com
seus 17 anos, a companhia iria sair para uma viagem profissional e como sempre
os colegas de teatro foram em na terreira de umbanda que costumavam freqüentar.
E para a surpresa do garoto Vinicius, a terreira era a mesma daquela senhora
que havia ido ate sua casa em Torres, e ao entrar na terreira, o cacique disse
a ele: - “Você na minha casa, você nasceu com uma missão”, repetindo as
palavras que haviam sido ditas há alguns anos atrás. E pela primeira vez,
no passe, ele sentiu girava, que havia uma coisa diferente, naturalmente
estranhando a situação, pensando ate que estivesse hipnotizado. Terminou indo
realmente para o Rio de Janeiro entrando no teatro profissional na Companhia de
Dercy Gonçalves. Como as coisas não iam muito bem, ela, Dercy Gonçalves
achou que havia um “pe frio” e resolveu levar toda a companhia a um terreiro de
umbanda de Ogum Beira Mar e qual não foi à surpresa quando o guia chefe chamou
o então Guerton Paiva, (nome adotado profissionalmente) e disse: - “Você não
sabia, não te disseram que você nasceu para uma missão?”
A partir desse momento as coisas começaram a tomar outro rumo na vida do
então ator Guerton Paiva. Começou a acreditar que havia ligação em tudo
que haviam lhe dito e, la nesse terreiro, no Rio de Janeiro, iniciou o seu
preparo espiritual na Umbanda. Posteriormente, motivado por assuntos
profissionais, foi para São Paulo e ao sair de la, recebeu uma ordem do Cacique
que, não deveria freqüentar nem um outro terreiro que não fosse aquele do Rio
Grande do Sul do Cacique Xango da Pedreira. Ele achou estranho isso porque não
era desejo dele retornar ao Rio Grande do Sul, mas, o Cacique afirmava que ele
voltaria para o Sul.
Impressionante que depois de alguns meses em São Paulo, cansado das
maratonas teatrais, dos filmes, terminou abandonando a companhia e resolveu
voltar a Torres. Ele e sua família resolveram abrir um negocio, um comercio e
junto com isso outra surpresa: - O seu guia resolveu se apresentar em sua casa
e atender pessoas doentes que terminaram formando caravanas a sua casa, intrigando
ate o Padre local que vendo aquilo tudo começou a criar problemas para ele,
proibindo as pessoas de passarem na esquina de sua casa.
Ficou por dois anos la em Torres, já com praticamente um terreiro aberto
meio que sem querer. Depois desse período os seus familiares queriam que
ele continuasse, vieram a Porto Alegre e aqui chegando foi direto a aquele
primeiro terreiro que havia recebido a ordem no Rio de Janeiro. Naturalmente
apenas fez reforço na casa de Mãe Edelvira de Xango da Pedreira, pois seu apronte
foi recebido no terreiro de Mãe Cecília de Beira Mar do Rio de Janeiro.
No terreiro de Pai Xango da Pedreira, ficou ate o falecimento de Mãe Edelvira.
Na Nação Africana, por imposição dos seus guias, fez o primeiro Bori na
casa de Mãe Julia de Ode (NAGO), ficando lá até seu falecimento e
após passou para a Casa de Pai Nelson de Xango Orofomi (JEJE)
onde se aprontou em 1961 e quando se deu por conta, aos 31 anos, estava com seu
terreiro aberto ainda meio sem saber como e nem por que. O seu legado e a sua missão foram coroados de êxito e encontram-se
espalhada por esse mundo a fora com suas sementes frutificando a cada dia.
Enfim...que suas obras e conselhos
falem por ele. Foi um grande homem, um grande Pai na concepção da palavra, que
Deus o tenha sempre na Luz.
Beto de Ogum
Mãe Eloah Oxalá Domarati
Mãe Lourdes de Oya
Eu Cristiano Obagandju e minha mãe sanguínea Mãe Lisane de Oya
Mãe Lisane, eu, Mãe Lourdes
eu, Mãe Lourdes
Tezorinha de Ogun(Luiz M. Marques).....
Luiz Moreira Marques (Tizorinha de Ogun)....
Em 18 de novembro de 1937 Tizorinha de Ogun com apenas 7 meses de gestação nasceu em um serão feito pelo Babalorixa Manoelzinho de Xapanã que era Baba de Amélia Moreira Marques de Xapanã e Otavio Marques de Ogun pais de Tizorinha na Goa(bacia) do Monte Serrat.
Amélia começou a sentir contrações e o parto foi feito ali mesmo pelas mãos de Manoelzinho que cortou o cordão umbilical com o seu Obé,foi servido de encubadora os 'quatro pés' (cabritos,cabritas,ovelhas,carneiros...) mesmo assim,a vida de Tizorinha corria grande risco,Otavio sentou-se a mesa do Ifá para ver o que poderia ser feito para salvar a vida de seu filho e os Orixás responderam que teria que ser feito o Ababaxé de Ori e Otá(apronte de Bará a Oxalá).
No dia 19 de novembro de 1937 foi feito o que os Orixás pediram,Otavio foi a frente do Pegê e disse em alto e bom som que se seu filho Luiz Moreira Marques fosse salvo seria um grande Alabê,que tocaria com todo o seu esforço,que cantaria com todo seu amor para agradecer para todo o sempre aos Orixas , que jamais deixaria de servi-los pro resto de sua vida e assim foi feito.
Seu pai não tocava o ilú somente agê mesmo assim,o seu filho começou a tocar com apenas 4 anos e fazia ele sempre se lembrar do porque que estava vivo.
Todas as vezes que Tizorinha tocava ele se levantava nos Axés de Xapanã,agradecia melodiosamente,tocava levemente,interpretava a sua alegria,muitas vezes chorava e ao final dizia que ele tinha um grande guerreiro mas quem o salvou foi o ''grande Orixá''
Na umbanda e quimbanda se encorporava com o Zé Pelintra( que era um sarro),caboclo Ogun (mestre espiritual das matas) e uma vez com um preto velho chamado Pai João da Bahia,na Nação o Ogun abrilhantava os olhos de quem o via falando yorubá e dando conselhos aos homens sobre a terra.
Ele teve como Babalorixas 3 grandes nomes de nossa nação:Manoelzinho de Xapanã , Antonia de Bará e por ultimo apadrinhado por Vinícius de Oxalá.
Em 18 de novembro de 1937 Tizorinha de Ogun com apenas 7 meses de gestação nasceu em um serão feito pelo Babalorixa Manoelzinho de Xapanã que era Baba de Amélia Moreira Marques de Xapanã e Otavio Marques de Ogun pais de Tizorinha na Goa(bacia) do Monte Serrat.
Amélia começou a sentir contrações e o parto foi feito ali mesmo pelas mãos de Manoelzinho que cortou o cordão umbilical com o seu Obé,foi servido de encubadora os 'quatro pés' (cabritos,cabritas,ovelhas,carneiros...) mesmo assim,a vida de Tizorinha corria grande risco,Otavio sentou-se a mesa do Ifá para ver o que poderia ser feito para salvar a vida de seu filho e os Orixás responderam que teria que ser feito o Ababaxé de Ori e Otá(apronte de Bará a Oxalá).
No dia 19 de novembro de 1937 foi feito o que os Orixás pediram,Otavio foi a frente do Pegê e disse em alto e bom som que se seu filho Luiz Moreira Marques fosse salvo seria um grande Alabê,que tocaria com todo o seu esforço,que cantaria com todo seu amor para agradecer para todo o sempre aos Orixas , que jamais deixaria de servi-los pro resto de sua vida e assim foi feito.
Seu pai não tocava o ilú somente agê mesmo assim,o seu filho começou a tocar com apenas 4 anos e fazia ele sempre se lembrar do porque que estava vivo.
Todas as vezes que Tizorinha tocava ele se levantava nos Axés de Xapanã,agradecia melodiosamente,tocava levemente,interpretava a sua alegria,muitas vezes chorava e ao final dizia que ele tinha um grande guerreiro mas quem o salvou foi o ''grande Orixá''
Na umbanda e quimbanda se encorporava com o Zé Pelintra( que era um sarro),caboclo Ogun (mestre espiritual das matas) e uma vez com um preto velho chamado Pai João da Bahia,na Nação o Ogun abrilhantava os olhos de quem o via falando yorubá e dando conselhos aos homens sobre a terra.
Ele teve como Babalorixas 3 grandes nomes de nossa nação:Manoelzinho de Xapanã , Antonia de Bará e por ultimo apadrinhado por Vinícius de Oxalá.
Fora da religião ele era um boêmio, malandro,namorador,adorava entrar
numa roda de samba,sua alegria contagiava,teve 7 filhos Heloisa Helena
G. Marques, Edelmira G. Marques,Gerson Luiz G. Marques,Jorge Roberto G.
Marques,Julio César G. Marques,Paula(relação extra conjugal),Bárbara F.
Marques,e uma entiada Carmem G.,só sua entiada e sua sétima filha são de
religião todas duas tocam Ilú(o que ele nunca quis),foi casado 2
vezes,viúvo da primeira mulher,jogador de futebol chegando a
profissional,parou porque perdeu parte da visão por conta de um glaucoma, morou grande parte de sua vida na Vila Jardim em Porto
Alegre,depois em Florianópolis,adorava tocar Axés no violão,após uma
certa idade queria pintar o cabelo de branco para parecer mais velho só
que ficou amarelo,ele dava pulos de irritação, mas se acostumou,sua
frases preferidas para falar eram ‘’eu vejo tudo e não morro’’,’’esses
batuqueiros eu não sou disso’’,’’cada um chora por onde senti’’ ,’’eu
não sou negão eu sou neguinho’’ e outras espetaculares,sua cor preferida
era verde,adorava feijão e arroz,seu sonho foi servir a Marinha.
Uma curiosidade que até eu não sei ao certo,seu apelido vem de um passarinho não da tesoura,dado quando jogava futebol.
Faleceu em 31 de março de 2004 por insuficiência respiratória e enfisema pulmonar.
Depoimento de:Bárbara F. Marques (filha carnal de Luiz Moreira Marques)
Uma curiosidade que até eu não sei ao certo,seu apelido vem de um passarinho não da tesoura,dado quando jogava futebol.
Faleceu em 31 de março de 2004 por insuficiência respiratória e enfisema pulmonar.
Depoimento de:Bárbara F. Marques (filha carnal de Luiz Moreira Marques)
Aprendemos muito ao lado desse grande mestre
João Capoeira um dos melhores Alagbês da atualidade, seguidor das raizes do Mestre Tezoura
Eu e Barbara de Ogun,(filha carnal de Pai Tezoura)
Minha Familia Religiosa
Mensageiros do Amor - Florianópolis SC













Jesus Cristo ama a cada um de vocês...
ResponderExcluirOlá, também sou neto do Saudoso Nelson de Sogbo
ResponderExcluirNeto de Paulo César de Olokun
E filho de Beto de Obokum
Oi... Gostaria de entrar em contato com o administrador da página
ResponderExcluirAdorei ver mtas coisas do pai Vinicios pois eu frequentava a casa na saturnini de Brito quando pequena pois minha tia era filha da casa tia Zilá adorava eu ia na segundas e nas quintas feiras era mto maravilhoso eu tinha uma grande vontade de frequentar a casa da Inayá não sei se ela tem casa ainda nossa e mto maravilhoso eu amava de mais esta casa do pai Vinicios
ResponderExcluirEu sou bisneto de manoelzinho de xapana
ResponderExcluirContribuindo com o tema:
ResponderExcluirO BISPO MARCELINO MANUEL DA GRAÇA NÃO É O PRINCIPE CUSTÓDIO
https://iledeobokum.blogspot.com/2021/03/o-bispo-marcelino-manuel-da-graca-nao-e.html